Como se vê, Maximiliano conservou, em frente da morte, uma attitude serena e calma.

Ás seis horas da manhã do dia 19, um official veiu abrir a porta do carcere.

—Estou prompto, disse o imperador adiantando-se.

E ao sahir a portaria do convento dos Capuchinhos, erguendo os olhos para o céo:

—Que bello dia! Sempre esperei morrer n'um dia de sol.

Entrou na carruagem descoberta que lhe era destinada. Os generaes Miramon e Méjia, cada um em sua carruagem, seguiam a do imperador. Eram escoltados por quatro mil homens. O funebre cortejo poz-se a caminho para o Cerro de las Campanas. Os condemnados iam de pé, serenos, tranquillos. As ruas e janellas estavam cheias de gente. Maximiliano, diz Tissot, nunca pareceu mais bello do que n'essa occasião. As mulheres desviavam o rosto para occultar as lagrimas.

Houve um momento em que o general Méjia se perturbou: foi quando sua esposa, com o filho, recem-nascido, nos braços, rompeu d'entre a multidão, os cabellos em desordem, o gesto allucinado. Méjia escondeu o rosto entre as mãos. Foi esta a unica fraqueza no espectaculo heroico d'aquelle triplice fuzilamento.

Quando a primeira carruagem chegou ao Cerro da las Campanas, Maximiliano apeiou-se com ligeireza, distribuiu a cada soldado uma onça de ouro, e disse-lhes:

—Apontai bem, meus amigos; tomai por alvo o meu coração.

Um dos soldados chorou. Maximiliano entregou-lhe a sua carteira de cigarros, cravejada de pedras preciosas. E, como o official que devia dar a voz de fogo lhe pedisse perdão, o imperador respondeu: