II
O principe da Beira
(Março de 1887)
E a proposito...
Toda a semana se fallou muito de um principesinho que ha de vir de França, n'um bercinho de verga doirada, deitado n'uma almofadinha de sêda, entre rendas e flôres, sobrescriptado para o Paço de Belem.
Os jornaes não teem fallado de outro assumpto, e os pais de familia vêem-se sériamente entalados para explicar aos bebés o motivo por que esse lindo principesinho que ha de vir de França (e que deve ser lindo como todos os principes) não chegou ainda, a despeito de fazer-se esperar por toda a familia real e por todos os habitantes do paiz.
Tem sido realmente preciso dar tratos á imaginação para explicar phantasiosamente o caso d'essa demora imprevista, para satisfazer a justa curiosidade dos bebés, e se o accouchement da princeza Amelia tardar ainda mais alguns dias, receio muito que chegue a esgotar-se a imaginação dos pobres pais de familia.
Um dia são os pastores dos Pyrenéos que, sabendo que por alli passa um principesinho, se juntam para vêl-o, obrigando o portador a parar e a mostrar-lh'o.
Não tem o portador outro remedio senão parar, descobrir o bercinho, mostrar o principe.
Então os pastores querem beijal-o por força, e pedem ao portador que se demore emquanto elles vão buscar a melhor rez do seu rebanho para offerecel-a áquella linda creança.