XI

No harem de Marrocos

(Outubro de 1867)

A doença do sultão de Marrocos, Muley Hassan, envolve-se n'um veu romantico, através de cuja gaze a imprensa europêa tem descoberto uma intriga de serralho.

O sultão, que, de resto, parece revelar maiores tendencias para cultivar a monogamia do que o harem, affeiçoou-se a uma só mulher tão absorventemente, que todas as outras, reduzidas a uma ociosidade desprezivel, ter-se-iam lembrado talvez de deitar um veneno qualquer na taça de café do sultão.

Se assim foi, deveria ter havido interessantes e secretos conciliabulos, que os eunuchos, apesar de toda a sua vigilancia, não lograriam surprehender.

Estou d'aqui a ouvir uma oradora do harem discursando, cheia de indignação, ás suas companheiras de desgraça.

—Senhoras, diria porventura ella, um sultão que não faz uso do seu harem, por amor de uma só mulher, póde ser um bom marido, mas é com certeza um detestavel sultão.

Longos e repetidos apoiados.

—Se Muley Hassan está apaixonado, mande-nos embora, e case. Que fique fazendo uma vidinha santa com a sua querida mulhersinha e os seus meninos; que saia a passeio com a madama pelo braço; que vá orar á mesquita com ella e que, inclusivamente, pegue nos pequenos ao collo servindo de ama sêcca...