Quando os seus filhos eram pequeninos, ella propria os acalentava no berço, cantando, bailando, beijando-os, atirando o fardo da etiqueta para traz dos moinhos. A imperatriz desapparecia; ficava apenas a mãi.
Quando, com dois annos de idade, lhe morreu a segunda filha, abraçou-se n'uma effusão de lagrimas ao pescoço de um grande Terra-Nova, que era o companheiro dilecto da mallograda creança.
Dinorah não teria sido mais carinhosa com a sua cabrinha branca do que a imperatriz o foi n'esse momento para com o seu Terra-Nova.
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E todavia ouvia-se dizer muitas vezes em Vienna que a imperatriz, amazona infatigavel, pensava mais nos cavallos que montava do que nos filhos que havia gerado.
Uma calumnia revoltante. Victor Tissot, que esteve em Vienna, e que estudou escrupulosamente a capital austriaca na côrte e na rua, desmente-a categoricamente.
D'onde veio essa má vontade dos viennenses, tantas vezes manifestada, contra a imperatriz?
Veio do tempo em que ella, creança de dezeseis annos, tinha, sem o haver sonhado, cingido a corôa da Austria, e esquissava nos seus albuns a caricatura mordente dos cortezãos que detestava.
Um cortezão não perdôa nunca: vinga-se curvado e sorridente. Foi o cortezão de Vienna que principiou a fazer a lenda injusta da imperatriz, que, por sua vez, aborrecendo o mundo palaciano em que a calumnia serpejava por entre as alcatifas, preferia as florestas ás salas, e os cavallos aos cortezãos.
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