Emquanto a pureza dos idyllios platonicos se libra nos ares, as mulheres positivas que os inspiraram vão cá na terra saboreando as iguarias do peccado com grande menospreço pelos poetas bucolicos que não souberam ir além do platonismo piégas.

Conta Pliego que a alcoveta de Anna Boleyn, na noite em que introduzira na camara da rainha Marcos Smeaton, e no momento de o occultar com o espaldar do regio catre, dissera para disfarce, pondo junto ao leito uma bandeja: «Senhora, aqui está a marmelada.»

A marmelada era Marcos Smeaton.

Foi a isto que eu chamei metaphoricamente iguarias do peccado.

O pobre Wyat, quando Anna Boleyn subiu de marqueza de Pembroke a rainha de Inglaterra, o mais que fez foi chorar sobre as ruinas do seu proprio platonismo. Compoz, ahi por 1535, uma elegia com o titulo de Forget not yet, que, em versão descolorida, sôa pouco mais ou menos assim:

Não te esqueça a constancia que meu peito

No amor provado tem.

Trabalhos que soffri alegremente

Não esqueças tambem.

Não te esqueça do meu antigo affecto