Lamentor, modificação de Lamendor, por Manuel.
O snr. Theophilo Braga interpreta Bimnarder como outro anagramma de Bernardim, e Olania por Oriana. Eis os pontos de divergencia entre as duas interpretações.
Varnhagem commenta:
«Seja como fôr: o certo é que, decifrados os anagrammas, apparece Bimnarder apaixonado de certa Joanna, irmã de Izabel, mulher de Lamentor. Ora, se admittirmos que este fosse el-rei D. Manuel, resultariam os amores de Bernardim, não com a filha d'este rei, mas sim com sua cunhada D. Joanna, a mãi de Carlos V, mulher de Filippe o Bello, e filha (como a rainha D. Izabel sua irmã) dos reis catholicos Izabel e Fernando. Em tal caso o mesmo Filippe corresponderia ao Fileno e Orphileno (marido da Aonia da novella), etc.»
Não acha natural Varnhagem que Bernardim Ribeiro se apaixonasse por D. Beatriz, que nascêra em 1504 e a cantasse, quando ella era menina de menos de doze annos, no Cancioneiro de Rezende, que sahiu impresso em 1516.
Mas a verdade é que na Menina e Moça se diz: que «a senhora Aonia ainda então era donzella d'antre treze ou quatorze annos» e que menina e moça a levaram de casa de seu pai para longes terras.
Entende tambem o snr. Theophilo Braga que os dizeres com que abre a Menina e Moça não se podem referir á infanta D. Beatriz, que contava dezesete annos, quando foi levada para Saboya.
Como se vê, a opinião dominante nos ultimos quinze annos é contraria á lenda dos amores de Bernardim Ribeiro com a infanta D. Beatriz.
O snr. Theophilo Braga explica a formação da lenda pelo supposto facto de ter o poeta amado uma dama altamente collocada na côrte, parenta de el-rei D. Manuel, D. Joanna de Vilhena; pela prohibição, no Index de 1581, da novella Menina e Moça, o que lançou suspeitas sobre o conteúdo da novella; e pela coincidencia de Bernardim Ribeiro ter sahido de Portugal quando a infanta, em 1521, partiu para Saboya.
A lenda, recolhida no seculo XVI por Faria e Sousa, resuscitára com o romantismo pela reviviscencia das lendas nacionaes.