O imperador, cada vez mais solicitamente instado pelos duques de Saboya, respondia com boas palavras apenas: em carta, datada de Toledo a 7 de fevereiro de 1526, diz a Carlos III que tem por elle e por a duqueza sua cunhada a maior consideração; que os vexames commettidos no Piemonte o contrariam tambem; mas que espera pôr-lhes termo logo que vá a Italia.
A 12 d'esse mesmo mez de fevereiro, a duqueza de Saboya, D. Beatriz, escrevendo ao commendador de Murel, dizia-lhe: Vous n'aues pas a ignorer les insultes et peilleages que alcuns souldars estantz dans Carmagnole auecques leurs complices ont fait sur le pays de Monseigneur de maniere que tous les chemins sont rompuz qui est grant scandalle por tout le pays ce qui ne voulons plus en durer.
Mas os vexames, as humilhações continuavam.
A 22 de fevereiro, a duqueza energicamente recommendava á communa d'Ivrea que lhe enviasse duzentos homens, dos melhores, a fim de policiarem os logares vexados pelos soldados do imperador.
Em abril, como continuassem as coisas no mesmo pé, D. Beatriz escrevia ao marquez del Guasto, pedindo-lhe que fizesse retirar as tropas que devastavam Racconigi.
Sempre valeram as supplicas repetidas e instantes de D. Beatriz junto de Carlos V.
O imperador calmára um pouco a sua vingança, pois que tivera contas a ajustar com Carlos III, ao qual em 1521 havia escripto, tratando-o não por principe italiano, mas por seu visinho d'Italia, pedindo-lhe que obstasse á passagem do exercito de Francisco I: no que fareis o vosso dever, e a mim me dareis singular prazer, que não será esquecido.
O duque de Saboya não só não obstou á passagem do exercito francez, senão tambem o forneceu de viveres e munições.
D. Beatriz, logo que pôde inteirar-se dos negocios politicos do paiz, e intervir n'elles, procurou corrigir o desacerto do marido. Como vimos, dirigia-se supplicante ao imperador ou aos seus capitães, e tanto captivára Carlos V, que elle, comquanto sempre dissimulado, acabou por attender-lhe as supplicas.
Em 1524 D. Beatriz dera á luz um filho.