—Sim... talvez.

—É sempre desagradavel a noticia d’um fallecimento. Agora, porém, tão impressionavel a tornou a doença, que parece-me que seria melhor occultarmos...

—Pois sim, não digamos nada.

Quando Maria Luiza lhe entregou o bilhete, Rosinha ficou sobresaltada. Exprimiu o receio de Eduardo Valladares o não receber a tempo, para ir dispondo o ánimo da irmã. Não previu as tristes consequencias que vieram surprehendel-a. Suppoz que o adeantado da hora seria razão sufficiente para explicar a ausencia de Eduardo, e que Maria Luiza diria de si para comsigo «não pôde vir» em vez de «não quiz vir.»

Para acalmar a irmã, resolveu-se, como vimos, a dizer ao menos meia verdade.

Não foi acreditada.

É inexplicavel o que em algumas horas soffreu a boa alma, toda dúvida e receio, toda amor e afflicção...

Em casa, no regresso d’aquelle triste passeio, Rosinha, muito atribulada, disse á irmã:

—Socega, por Deus. Amanhã te explicarei toda a verdade.

Maria Luiza olhou-a com fixidez, e sorriu um breve sorriso que tinha tanto de tristeza como de incredulidade. E continuou a luctar com a mesma ancia, cada vez maior.