Maria Luiza julgou-se esquecida pelo homem a quem amava. Esta ingratidão suffocava-a. «Por que não iria elle, perguntava a si mesma na sua afflicção, porque não iria vêr-me, depois de me não ter visto ha tanto tempo? E os meus pensamentos todos eram seus! Se sonhava... via-o no meu sonho. Dizia-me o coração que não morria, porque o amava... E elle não foi!»...
Á noite, queixou-se de extrema inquietação. Chamou-se á pressa o facultativo.
Antes d’elle chegar, Maria Luiza levantou-se de golpe, disse que uma nuvem vermelha lhe tirava a vista, e bolçou sangue.
XXIX
Moralmente, Rosinha soffrera tanto ou mais que Maria Luiza.
O seu amor, a sua dedicação pela irmã estremecida levou-a a occultar a morte do bacharel Valladares.
—Sabendo-o, soffrerá metade das dores que dilaceram o coração luctuoso de Eduardo. Peorará decerto, pensara Rosinha nos extremos do seu carinho.
Depois, acercou-se de sua mãe e disse:
—Não lhe parece que será melhor não dizermos que morreu o genro do João Nicolau?