—Vamos embora; agora é que me não sinto boa.
E depois, segredando á irmã:
—Não veiu!
Então Rosinha achou que devia dizer meia verdade. Contou que Eduardo Valladares tinha ido ao Porto por motivo imprevisto.
Maria Luiza sorriu doloridamente e disse:
—É possivel que fosse ao Porto, mas é impossivel que não estivesse hoje aqui se já me não tivesse esquecido.
E, tão agitada como incredula, repelliu todos os protestos que lhe fazia a irmã de haver dito a verdade quanto á ida ao Porto.
—Fez-te mal sahir! disse a viuva Machado com o coração opprimido por um torturante presentimento.
—Não é nada, minha mãe; socegue. Vêl-a inquieta, é que me incommoda.
Maria Luiza, a mariposa alegre d’outros tempos, alma creada para as flores e para o sol, era, bem o sabeis, uma d’essas creaturas que se deixam ir embaladas no ambiente da felicidade e que um dia, ao encontrarem a chamma que as namora, ou a atravessam impunemente ou crestam n’ella as azas iriadas. São estas frageis creaturas as que mais podem luctar com as tempestades da vida, mas se uma vez succumbem, deixam-se morrer lentamente, abraçadas, permittam-me que diga assim, ao pensamento que lhes envenena o coração.