Mas se já vos lembrou tel-o captivo,
É bem melhor... matal-o.
—Ah! impressionaram-me estes versos. Tens razão... Fazer mal ás avesinhas que são do ar! Lembras-te da primeira vez que viemos ao Bom Jesus? E dos teus versos?... Atiraste-m’os ao regaço aqui, foi mesmo aqui...
Rosinha, que por um momento receou que Eduardo Valladares não pudesse reprimir, ao escrever, as dores profundas que lhe torturavam a alma, trocou com elle um olhar d’approvação, que a doente não surprehendeu.
N’este momento andavam as creanças, a distancia, mostrando-se com estrepitoso jubilo uma avesinha que tinha ficado prisioneira.
Maria Luiza chamou uma, e vieram todas de tropel, orgulhosas da victoria. Pediu-lhes que soltassem aquelle passarinho, que lhes não tinha feito mal nenhum. O pequenito, que entendera perfeitamente, olhou para Maria Luiza com desdem, mas uma inglezita de cabello loiro, talvez sua irmã, voltou-se para o companheiro, pequeno como ella, e disse:
—She is so ill! Do what she wished.
Felizmente Maria Luiza não sabia inglez; a pequenita tinha dito: «Ella está tão mal! Faze-lhe a vontade...»
A avesinha, restituida á liberdade, desferiu vôo, e as creanças seguiram n’a com a vista até que desappareceu através das arvores.