Ouviu-se o frémito d’um beijo e o som agudo d’um grito. Era a voz de Maria Luiza. Sua irmã tinha morrido a beijal-a, como se quizesse transmittir-lhe a vida n’um beijo.
Ao grito de Maria Luiza acudiu o pae, a mãe e a irmã. Já chegavam tarde, porém.
Desde aquelle dia, Maria Luiza entristecia-se quando lhe falavam d’essa hora amargurada. Tornou-se amiga de todos os que eram amigos de sua irmã e ia todos os domingos ao cemiterio d’aldeia poisar um ramo de flores sobre o tumulo fechado havia pouco tempo. Quando vieram habitar em Braga, Maria Luiza soffreu muito com a falta da visita ao cemiterio, ou com a ausencia de sua irmã, como ella dizia. Aos domingos, todavia, era quando mais cantava o
El amor que te tengo
parece sombra...
e dizia a Rosa que se via obrigada a cantar para reprimir as lagrimas no seio.
Thomaz Ignacio Machado morreu em Braga, dezoito mezes depois de ter sahido da quinta do Prado. Chorou-o a esposa, choraram-n’o as filhas estremecidas e choraram-n’o todos os que viam n’elle um homem remido das faltas do passado por um longo soffrimento.