La ausencia es aire

que apaga el fuego chico

y enciende el grande.

Depois, se a irmã se sentava ao piano e voejavam ao longo da sala notas de suavissima tristeza, como um bando de rôlas viuvas que se andassem carpindo, Maria Luiza, para se furtar á impressão dolorosa da musica, batia o pésinho no chão e começava, saltando, a cantar.

Havia só um nome, só uma palavra, que a fazia entristecer subitamente. Era o nome de sua irmã Emilia. Tinham sido duas irmãs extremosas, que viviam uma para a outra.

Ás vezes, n’um momento de dolorosissima saudade, dizia a inquieta donzellinha:

—Quem sabe se virei a morrer da morte de minha irmã? Talvez. Eramos tão amigas!...

Estavam na quinta do Prado, como já se disse, quando Emilia morrera. Os tisicos enganam até ao ultimo momento; ninguem esperava que ella passasse n’aquelle dia. Rosa tocava, na sala proxima, umas variações da Norma; Maria Luiza falava com a doente a respeito das andorinhas e do sol, das flores e das borboletas, das noites de luar e dos rouxinoes. De repente a irmã interrompera-a, para segredar-lhe:

—Ouves? É a musica do noivado. O meu noivo espera-me. Has de me dar um ramo de lirios para levar no seio. Eu gosto tanto dos lirios! Os rouxinoes são meus amigos. Esperava este momento com anciedade; elle já me espera ha dois annos e devia ter saudades de mim. Morreu tão novo! Ouves, minha irmã? A musica continua. São as andorinhas, que chilriam... Dá-me um beijo; as borboletas são irmãs das flores e tambem se beijam.