—Aqui? disse-lhe ella. Pensei que tinha acompanhado o resto da caravana.

—Idealista, como v. ex.ᵃ—volveu elle convulsamente e como querendo dominar uma impressão violenta—procuro ás vezes a solidão. Não temos que extranhar o encontrarmo-nos aqui.

—De mais extranheza será, porém, dizer-lhe eu que se occultam n’estas sombras da Mãe d’Agua faunos poetas, que sabem escrever bonitos versos ao sabor de madrigaes. Aqui tenho eu uns que me parecem maviosos; ou me vieram da mão d’um fauno, que, por engano, me tomara á conta de nayade, ou cahiram por acaso da aza d’uma andorinha, que era correio d’amantes.

Eduardo Valladares empallidecia extremamente.

—E comtudo esta lettra não me é extranha, continuou Maria Luiza. Notavel coincidencia! Parece-se muito com a sua, com a dos versos que teve a gentileza de me enviar ante-hontem. Ora veja...

N’este momento ouviu-se ao fundo da alameda uma voz de mulher. Quedaram-se os dois á escuta. Passados instantes, porém, descobriu-se através das arvores o vulto já distincto da irmã de Maria Luiza.

Chamava para o almôço, que esperava por elles na mesa da hospedaria.


V

Tres dias depois do primeiro passeio ao Bom Jesus do Monte escrevia Eduardo Valladares a sua mãe: