Chateaubriand escreveu algures que o christianismo conseguiu dar suspiros ao bronze.
Sem querer desvirtuar a poetica idéa do auctor do Genio do Christianismo, sou a dizer que me não quer parecer «suspirar», um martelar continuo de toadas populares nos sinos das cidades. A musica das ruas invadiu a egreja.
Suspirar é o do sino da aldeia, que nos viu nascer, quando vibra sonoro ao pôr do sol, no meio da solidão.
Acceito de melhor sombra estas palavras do mesmo Chateaubriand no René:
«Tudo se encontra nas encantadas meditações que em nós desperta o sino natal: religião, familia, patria, o berço e o tumulo, o passado e o futuro.»
VI
Depois do primeiro passeio ao Bom Jesus do Monte, Eduardo Valladares só a furto vira Maria Luiza ao declinar da tarde, durante nove dias.
Quando o sol inclinava para o occaso, sahia elle em direcção a Guadelupe. Ao passar na rua de Santo André, sempre os seus olhos se encontravam com os de Maria Luiza como por magnetismo. Seria um acaso? Quem diria a ella, da primeira vez, que elle ia passar? Amal-o-hia? Se o amava, se sentia que o ia amar, dizia-lhe uma voz interior que elle viria? Mas pareceu fital-o tranquilla, sem revelar um indicio de commoção... Não o amaria, zombaria de um sentimento celestialmente puro? Mas nem que o coração lhe estivesse adivinhando a hora a que elle viria! Nem um só dia deixaram de se ver...
Era a furto, é verdade; que o timido moço não sabia que impressões conservaria Maria Luiza do passeio ao Bom Jesus. Erguia o seu olhar para ella, e desviava-o subitamente...