VII
Dez dias volvidos disse D. Maria Assumpção, de manhã, ao neto:
—Vamos hoje passar a noite a casa das Machados. É preciso fazeres-te homem. As mulheres é que vivem encerradas dentro de quatro paredes. Passas a manhã em casa a ler, e apenas saes de tarde um boccadinho! Onde vaes tu?
—Sento-me em Guadelupe e gosto d’aquelle sitio, respondeu Eduardo procurando ler a impressão da resposta no olhar da avó.
—É bonito... mas triste. Precisas de procurar relações e de afastar de ti uns ares improprios da tua edade. Domingo, havemos de tornar ao Bom Jesus. É preciso divertir e passear emquanto é tempo, rapaz, que o mez de outubro está ahi á porta e depois, cursando o lyceu, não tens remedio senão deitar-te aos livros.
—Estou preparado para isso e cuido que hei de saber corresponder á dedicação de meus avós.
—Assim deve ser. Põe o teu chapéo e vae sahir, anda, mysanthropo.
—Agora... estou tão bem em casa...
—O que tu quizeres, teimoso! Já te disse que depois de abertas as aulas hão de ser poucas as distracções.