Do Nilo, os moradores
Vivem do cheiro das flores
Que nascem n’aquelle monte.
De que vivem os namorados? Embriagam-se nos celestiaes aromas das flores que desabrocham nos rosaes escondidos no coração. O que elles sabem dizer é um como frémito de rosas baloiçadas por uma viração suavissima;—linguagem quasi mysteriosa apenas entendida por duas almas. Em que é que pensam? Em que é que sonham?
Pensam e sonham nas amenidades do seu vergel encantado, nas flores do seu canteiro intimo, nas harmonias que uns desconhecidos rouxinoes gorgeiam por entre os invisiveis rosaes.
«Tenho dó dos demonios; pois se elles não amam!» creio que escreveu algures Santa Thereza, toda delirante de ternura, como notou o mais vernaculo dos nossos escriptores contemporaneos.
Oh! espiritos beatificos, que nascestes fadados para os arroubos asceticos, ó santos e santas da côrte celestial, até vós prelibastes as doçuras que resumbram do favo do amor!
Quero lembrar-me tambem agora de que S. Francisco de Salles disse «que o amor tem o primeiro logar entre as paixões da alma»; e não sei ao certo quantos mais santos discretearam ácêrca do amor. Que admira, porém? Não se resumia a doutrina e philosophia do vosso divino Mestre n’este dulcissimo preceito: «Amae-vos uns aos outros»?