—Quaes tempestades imminentes? Deixa namorar o rapaz, que está no seu tempo. Que queres tu que se faça?
—O peor é em se abrindo as aulas. Estou com receio de que gaste mais tempo a lêr nos olhos da Machado do que nos livros.
—Deixa que lhe ha de chegar o tempo para tudo, se assim fôr. E depois quem te disse que elles se namoram? Que provas tens? Sabemos apenas que elle gosta d’ella; mais nada. O que é certo é que tudo isto tem sido uma felicidade. Olha como o rapaz está acclimado, como parece outro, como revê alegria!...
—Por isso mesmo... Dize cá. Tu sabes se elles conversaram no Bom Jesus nos dois domingos que lá passámos?
—Eu sei lá isso! Tu não viste que não sahi de ao pé de ti?
—Pois domingo sou eu que quero ir ao Bom Jesus.
—Para que? Para os veres conversar? Olha que vale a pena, na verdade!
—Eu cá tenho tambem o meu systema...
Seja-nos licito saber o que estava fazendo Eduardo Valladares ao tempo em que n’uma das salas contiguas ao seu quarto dialogavam d’esta maneira D. Maria d’Assumpção e João Nicolau de Brito.
O que estaria fazendo? Escrevia. Transmittia ao papel as harmonias que lhe resoavam na lyra do coração: escrevia a Maria Luiza. E tão ligeira esvoaçava a penna sobre o papel, que, se o visseis, dirieis que eram pensamentos sem nexo, caprichos e devaneios d’um espirito radioso o que estava escrevendo: