Sentada nos degraus do chafariz, que fica ao centro do largo dos Evangelistas, estava, absorta na leitura de não sei que romance, a menina Rosa Machado. Como quer que levantasse casualmente os olhos de cima do livro e reconhecesse ao fundo da avenida João Nicolau, correu pressurosa a dar rebate aos enamorados interlocutores da Mãe d’Agua. O que é certo é que quando João Nicolau chegou ao largo, depois de ter trilhado vagarosamente a longa avenida que parte do templo, já as duas irmãs Machados estavam sentadas nos degraus d’uma das capellas, e como que ambas embevecidas na leitura do mesmo livro.
XIII
—Sósinhas? exclamou João Nicolau ao vêl-as, dando assim largas á sua extrema admiração.
—Nunca estão sós duas irmãs, respondeu de golpe Maria Luiza.
—A ler, não é verdade?
—A matar o tempo.
—Que é do meu neto, que assim as deixa sem lhes fazer companhia?
—O seu neto continua a ser poeta. Desde que chegámos aqui, embrenhou-se por essa alameda da Mãe d’Agua e lá está talvez devaneando a desafiar os rouxinoes.
—Olhem que para boa lhe havia de dar!