—Tambem acho que sim!... replicou Maria Luiza.

—Se não era melhor estarmos aqui todos a conversar! accrescentou Rosa.

—É que estes poetas gostam d’andar a conversar comsigo mesmos. Toda a minha vida ouvi dizer que se deve desconfiar de pessoas que falem sós.

—Os poetas não falam sós, tornou Maria Luiza. Não posso deixar de censurar o procedimento de seu neto, sr. João Nicolau; mas quero levantar a luva que lançou a quantos versejam n’este mundo de Christo. Os poetas pensam como o sr. João Nicolau, como eu, como toda a gente. Se procuram, ás vezes, a solidão, é de certo para que os rumores do mundo lhes não interrompam os maviosos pensamentos.

—Ande lá, que não pode negar que é affeiçoada á poesia...

—Admiro-a, e mais a admiraria se pudesse comprehendel-a. Ora de poetas que teem seu tanto de mysanthropos, como o sr. Eduardo, é que eu não gosto. Quero a poesia que transige com os deveres sociaes. O Camões, segundo dizem, emquanto a fortuna lhe luziu, usava de boa cortezia com as damas da côrte.

—E de que valeu ao Camões ser poeta? interrogou João Nicolau apoiando-se no braço de Maria Luiza e fazendo menção de voltar á hospedaria.

—Valeu muito, respondeu ella, tomando pela avenida, de braço dado com João Nicolau. Valeu-lhe estarmos agora nós falando d’elle.

—Sempre é ligarmo-nos muita importancia, pois não acha?