XVIII
Não tinham decerto escutado ainda mais doloroso idyllio as arvores sombrias da Mãe d’Agua.
Eduardo Valladares esperava com febril anciedade, como dissera, aquelle momento que se lhe afigurava decisivo. Durante dois mezes, apenas pudera entregar ao papel as pungentes confidencias da sua alma.
Quando, nos ultimos dias de setembro, João Nicolau de Brito o chamou á puridade para ordenar-lhe, severo e inexoravel, que immediamente fôsse abrir matricula no Seminario, escutou o submissamente, abafando no coração a tempestade revôlta que, n’aquelle momento, fibra a fibra lh’o estava despedaçando.
Sahiu da sala para correr á Bibliotheca, onde lhe ouvimos o brando queixume que o coração amigo de Rodrigues d’Abreu recolhera compadecido.
João Nicolau, matriculado Eduardo no primeiro anno do curso de theologia, jubilava com o bom rumo que os seus planos tomavam hora a hora.
Esperava talvez resistencia da parte do neto e cabalmente se enganou. Todos os dias o observava com olhos perscrutadores; via-o triste e sombrio, mas não extranhava.
Não era elle de natural melancholico?
Estas investigações quotidianas levaram-n’o a modificar as suas conjecturas. «O rapaz, dizia de si para si, acceita com boa disposição a vida ecclesiastica, esperançado talvez em alliar a poesia com o sacerdocio. E d’ahi quem sabe? Pode ser um vulto distincto em eloquencia sagrada.»