A viuva Machado respondeu negativamente e pediu ao facultativo, com os olhos banhados em lagrimas, que lhe não occultasse a verdade. Serenou-a o medico dizendo que os temperamentos excessivamente nervosos tinham caprichos especiaes que muitas vezes ludibriavam a medicina e que podia bem ser que a febre desapparecesse depois d’um breve periodo de intensidade.

A outra hypothese occultou-a elle para não ferir o coração materno todo receios e afflicção: vinha a ser que podia a febre prolongar-se, e tomar o caracter typhoide.

Trez dias depois, realisava-se a fatal hypothese. Sobreveiu o delirio e Maria Luiza balbuciava palavras sem nexo:

—Impossivel... Disseste que chorava... Na capella do Horto... Não sentia as lagrimas...

Outras vezes curvava-se a melancholica Rosinha sobre o leito e recolhia este murmurio:

—O sol por entre as arvores... Sempre impossivel... Uma tristeza immensa. Emilia... Deus...

A doze de janeiro escrevia Rosinha a Eduardo Valladares estas palavras:

«Hontem á noite delirou e tornou a fallar da capella do Horto e do sol que scintillava através das arvores. Felizmente ainda não pronunciou o seu nome. Não desespere, que eu ainda não desesperei tambem, e peça a Deus por ella e por nós.»

Foram decorrendo os dias e nos ultimos do mez raiou um vislumbre d’esperança.

Tendo passado a noite tranquilla, perguntou Maria Luiza, de madrugada, á irmã, a que horas tinham vindo na vespera do Bom Jesus.