Os passageiros riram a bom rir. O caso divulgou-se, espalhou-se ao longe, e agora é raro o dia em que passe um comboyo sem que alguem pergunte ao chefe da estação noticias da cabrinha...

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—Já não ha salteadores no Alemtejo! dizia eu para um dos meus companheiros de viagem. Que falta que me faz um assalto, de que eu precisava escapar... para o contar depois!

E elle referia-me casos tenebrosos de antigos salteadores alemtejanos, do José da Costa e do Chapeu de ferro, dois faccinoras, dois monstros, que viveram n'um tempo em que ainda se podia ser litterato.

O José da Costa fôra ha doze ou quinze annos o terror das terras interpostas a Alcochete e Setubal. Desertor de lanceiros, andava a monte, zombando das auctoridades e da policia. Era um heroe terrivel, um homem sanguinario, uma lenda viva. Uma noite, encontrára o caseiro da[{152}] quinta de Algeruz, e mandára-o apeiar do cavallo que montava. O caseiro obedecera immediatamente, e o faccinora dissera-lhe, passando-lhe a mão pela cara:

—Anda lá, anda, segue teu caminho.

O caseiro cavalgou de novo, dispunha-se a partir, quando José da Costa lhe tornou a dizer:

—Apeia-te outra vez.

E passando-lhe a mão pela cara:

—Ajoelha-te.