O pobre homem deu tratos á imaginação para resolver o problema, em que elle e a cabra entravam como factores.

O que havia de fazer? Demais a mais o café sem leite estava-lhe fazendo mal ao estomago, e a cabra não promettia tornar-se mais amavel do que até ahi se havia mostrado.

Depois que os comboyos passavam, elle fechava a porta da estação, e dois pensamentos atrozes o preoccupavam: a mulher e a cabra.

O que havia de fazer? pensava e tornava a pensar.

Até que uma noite teve uma idéa luminosa, salvadora. Adormeceu mais tranquillamente, saboreando mentalmente a delicia de tornar a almoçar café com leite.

Pela manhã, quando acordou, vestiu um vestido da mulher, poz na cabeça um lenço d'ella. Foi chamar a cabra, e a cabra veiu immediatamente, fazendo-lhe festa.

Estava resolvida a difficuldade, a cabra deixava-se mungir; o bom homem endoidecia de contentamento.

N'isto, um silvo terrivel ouve-se a pequena distancia. Era o comboyo, mas em que occasião, santo Deus!

O pobre chefe estava vestido de mulher, de saia e lenço. Um dilemma implacavel se lhe[{151}] apresentava: apparecer tal como estava ou faltar.

Mas faltar seria um delicto muito grave, um motivo para demissão. N'isto o comboyo chegava... E o chefe da estação apparecia na plataforma, mascarado de mulher, a dar ordens no desempenho do seu cargo.