Já tinha tido tentações de lembrar á França que o seu proverbio falhára... pela primeira vez. Eis senão quando o proverbio triumpha, agora como sempre. No caso do Panamá apparece uma mulher, madame Cottu, e a sabedoria da França salva os seus creditos, emfim.[{156}]

Decididamente, a mulher, quer a emancipem quer não, tenha voto ou não tenha voto, ha de ser, na successão dos seculos, a eterna collaboradora do homem em todos os casos da vida.

E visto que isto tem de acontecer por força, convém a cada homem escolher o typo de collaboradora que mais lhe agrade, especialmente para as emprezas em que o agrado é tudo.

Deverá escolher-se a mulher pequena. Será essa, como typo do sexo, a que mais póde encantar os olhos de quem a vê?

É certo que os antigos diziam: «A mulher e a sardinha quer-se pequenina.» A pequenina, a mignone, d'estas em que se póde pegar ao collo, e passeial-as sem cançar os braços, é, em verdade, um ser gracioso, que conserva, até mesmo na velhice, o que quer que seja de infantil, de ar alegre de boneca

E de mais a mais dizia um philosopho, não sei qual, um philosopho apologista de mulheres pequenas: «Do mal o menos».

Mas a verdade é que as nulheres altas, elegantes, fortes, se não são tão commodas para trazer ao collo, dão margem a que os olhos de quem as contempla possam saturar-se de bello sexo, demorando-se a miral-as da cabeça até aos pés.

É como se a gente estivesse a olhar ao longo de terras vastas, de uma paizagem dilatada, com um horisonte amplo, infinito, em que[{157}] sempre, por mais que se olhe, ha alguma coisa para vêr de novo.

Outro philosopho—porque sobejam, graças a Deus! philosophos para tudo—costumava dizer que a mulher alta era a mais apreciavel de todas, visto que não tinha o coração ao pé da boca.

Feia? Deverá ser feia a mulher? Não falta quem seja d'esta opinião. Não ha mulher feia que não possua pelo menos uma qualidade estimavel. A natureza mostrou-se principalmente sabia e justa nas compensações.