O homem estremeceu dentro do seu dominó, debaixo da sua mascara.
E sujeitos de chapeu de côco, creanças de bisnaga em punho, pastorinhas vestidas de gaze côr de rosa, vivandeiras de cantil a tiracollo, caíam sobre elle com o peso d'uma troça implacavel.
—Olha o Felix Telles de Estarreja!
Elle voltava-se para surprehender o denunciante em flagrante delicto de bisbilhotice, não conhecia ninguem, suava, tressuava, perguntava a si proprio se teria enlouquecido, e então os esguichos, as gargalhadas, os gritos recrudesciam n'um crescendo atroador.
De repente, no salão, o visconde, de braços abertos, um riso epigrammatico nos labios, postado deante do dominó, saudava-o com a terrivel apostrophe, que se repercutia nos eccos da sala:
—Ó Felix Telles, que diabo de lembrança foi a sua!
E elle, o Felix Telles, desesperado, hydrophobo, apopletico, respondeu-lhe na sua voz natural, cheio de raiva, de colera:[{168}]
—Ora deixe-me, que não sou eu!
E saiu, saiu acompanhado até á porta do theatro por este grito terrivel, insistente, perseguidor:
—Tu és o Felix Telles de Estarreja!