Porque o chapeu, como disse a tricana do norte, serve para pôr e para tirar.

E em saber pôl-o a tempo e tiral-o a proposito é que está o buzilis.

Pouco importa que o chapeu seja pequeno e a cabeça grande, que o chapeu seja grande e a cabeça pequena. Não está n'isso a harmonia entre o homem e o chapeu, mas sim no[{179}] uso conveniente ou inconveniente que d'elle se faz.

Quando a gente, ao sair de casa, põe o chapeu na cabeça, é como se pozesse ao sol o forro de si mesmo,—as suas ideias, os seus sentimentos, a sua educação, o seu caracter.

Ha chapeus que vão dizendo de cima da cabeça: «Cá vae este tolo, que não conhece os conhecidos».

Ha outros chapeus que, aborrecidos da roda-viva em que andam, parecem gritar a cada momento: «Cá vae este tolo, que até conhece os desconhecidos!»

Ainda ha outros chapeus que parecem muito contentes do acerto com que são tratados pelo dono, e em cuja copa a gente cuida lêr esta divisa: «Nem de mais, nem de menos».

Já repararam em que o chapeu, qualquer que seja o seu tamanho e feitio, parece variar de peso em certas occasiões e, especialmente, de pessoa para pessoa?

O mesmo chapeu, se a gente está de animo opprimido, parece pesar mais que de costume.

Um pretendente, fallando uma vez com Antonio Rodrigues Sampaio, começou por dizer-lhe, visto que n'esse momento lhe parecia ser de chumbo a aba do chapeu: