—Ó sr. padre-mestre, pois se todos os sabios dizem que sim, por que rasão havemos nós de pôr em duvida o que elles affirmam! De mais a mais vossa senhoria tem meio de averiguar a verdade. Sexta-feira pela manhã debruce-se no poço, ponha-se á espreita, que talvez os apanhe com a boca na botija.

—No bacalhau é que tu queres dizer...

—Sim, senhor, no bacalhau.

—Pois olha que hei de tomar o teu conselho. Na sexta-feira eu proprio irei tirar o bacalhau do poço para desenganar-me.

Póde calcular-se o que os estudantes ririam uns com os outros á espera da sexta-feira, que n'aquella semana parecia não chegar nunca, tão anciosamente elles a esperavam.

Mas, arrastadamente, a sexta-feira chegou, e o padre-mestre foi em pessoa buscar o bacalhau.

Ao debruçar-se no poço, deu um grande grito.[{187}]

A Gertrudes correu á janella:

—O que é, sr. padre-mestre? perguntou

—Eu vi um homem no fundo do poço, respondeu elle assaralhopado. E assim que me endireitei para gritar, fugiu.