Mas elle, insistindo, reperguntava:
—V. ex.ª, sr. conselheiro, determina mais alguma coisa?
E o conselheiro, se d'essa vez tinha ouvido, respondia:
—Adeus, Seabra, até ámanhã.[{214}]
Algumas vezes lhe fallei do chefe, para sondal-o.
E o Seabra dizia-me:
—É dos novos; mas boa pessoa.
Cheguei a entender o sentido d'estas palavras: é dos novos. Não era praxista, não respeitava as tradições e os regulamentos da burocracia, mas o Seabra reputava-o boa pessoa.
Alma generosa, a d'esse velho amanuense! que, em respeito ao seu chefe, que o tratava simplesmente por Seabra, não ousava dizer d'elle senão que era dos novos... mas boa pessoa.
Se o Seabra tivesse nascido meio seculo mais tarde, não entreabria a porta do gabinete do chefe para se despedir; mas, se o fizesse, e elle lhe respondesse com um «adeus, Seabra», pespegava-lhe uma tarea nas gazetas.