(Foi a coisa mais barata que lhe lembrou).

—Logo vi que havias de escolher uma coisa que durasse tão pouco como o teu amor. Eu gosto immenso de flores, mas tenho má fé com ellas no amor. São como que o presagio de que tudo acabará de pressa. As flôres duram tão pouco!

—Um leque, Mariquinhas, um leque?...

(Lembrou-se de ter visto na rua do Oiro uns que custavam oito vintens).

Ella replicou indignada:

—Eu não sou mulher que me requebre de leque na mão. Não sou d'essas mulheres levianas que andam pela rua a fazer fogo de vistas com a ventarola.

—Mas eu não te quiz offender, Mariquinhas.

—Talvez não quizesses. Eu sou uma rapariga honesta, que vivo á sombra de meus paes,[{227}] e que os adoro. Pésa-me de que elles sejam tão pobres e tão bons. Sabes no que eu penso? Em proporcionar-lhes um dia de Natal agradavel, como elles já não tiveram ha muitos annos...

—E como seria isso?

—Fazendo-lhes a surpreza de uma boa meia noite.