Pois o Natal estava por um fio, chega não chega, como eu ia dizendo ainda agora.
O servente ressonava já ha muito tempo em competencia philarmonica com a cara metade. As outras duas filhas sonhavam talvez com alguem que lhes desse um vestido e um camarote, mas a Mariquinhas estava á janella, envolta no véu azul do luar, unico de que podia dispôr, a conversar idillios com o seu estudantelho do Minho.
—Tu és-me infiel, dizia-lhe ella.
—Eu! respondia elle. Eu adoro-te, Mariquinhas, e só penso em poder casar comtigo logo que seja alferes de cavallaria.
—São palavras... Não sentes o que dizes![{226}]
—Por que duvidas de mim?
—Porque tenho a certeza de que o teu coração não é sincero. Só te lembras de mim quando me estás fallando.
—Tambem isso são palavras, apenas.
—Nunca tiveste uma pequena lembrança que me désses, uma d'essas apreciaveis bagatellas que valem mais pelo que significam do que pelo custam. Agradece-se, estima-se a intenção, principalmente...
—E que gostarias tu que eu te offerecesse? Um ramo de flores?...