«Boa noite! feliz Natal!»
E a familia responde: «Que Deus te proteja, e te dê boa colheita!» Depois, o carvalho (badujak) é posto no fogo. No dia seguinte, a gente moça percorre a povoação a cavallo, disparando tiros de pistola. E o pae de familia, apparecendo á janella, atira para a terra alguns grãos e sementes, dizendo: «Natal! Natal! Christo nasceu.» Ao que os moços respondem no estylo do Evangelho: «Em verdade nós vol-o dizemos, Christo nasceu.»
Então, todas as familias se juntam em torno do carvalho que arde, açoitando-o com correas; e quando as faiscas saltam, exclamam: «Tantas faiscas, quantos bois, cavallos, cabras, carneiros, porcos, abelhas e bençãos do ceu teremos este anno.»
A festa do Natal dura tres dias. E até que entre o novo anno, toda a gente se saúda, dizendo: «Christo nasceu!» e respondendo:[{238}] «Em verdade, nós vol-o dizemos, Christo nasceu!»
A universalidade das crenças populares é realmente um facto admiravel!
Assim como os servios tem o badujak. temos nós, nas provincias do norte, e citaremos para exemplo o concelho da Maia, arrabalde do Porto, o carvalho do Natal, que tambem se põe no fogo e que no fim da noite se guarda para tornar a accender-se em occasião de tempestade.
A Servia é decididamente o paiz das canções. Todos os seus habitantes cantam. Em cada casa ha uma guzla, especie de mandolim ou guitarra, que tem apenas uma corda de crina. Não ha festa sem canção e sem guzla. A Europa occidental conhece de varias imitações ou traducções muitas das poesias populares da Servia. Prosper Mérimée, tendo aprendido cinco ou seis palavras de slavo, compoz em quinze dias um pequeno romanceiro, que attribuiu a um imaginario tocador de guzla, Jacintho Maglanovitch.
Na poesia servia relevam a riqueza das imagens, a ingenuidade dos sentimentos, o ardor do patriotismo. A estrophe, sempre melodiosa, é geralmente curta; e o acompanhamento da guzla apenas a toma nos ultimos versos. Os cantos nacionaes são compostos em trocheus; as canções de amor admittem os dactylos.
No estudo da poesia servia ha a distinguir[{239}] os pesmas heroicos que os homens acompanham na guzla, e as canções do lar, que as mulheres e as raparigas entoam.
Foi só muito tarde que os servios começaram a escrever os seus pesmas. Em conformidade com a theoria de Vico, a poesia, entre elles, precedeu a prosa, que foi definitivamente fixada por Obradwitch, depois da primeira metade do seculo passado.