—Ah! as senhoras não foram n'essa noite ao club...
O silencioso—Ouve tudo calado, mascando no seu charuto. Não aventa uma ideia, não arrisca uma opinião. Não quer conhecer ninguem. Os outros banhistas que se riem do fallador, riem-se igualmente do silencioso. Ao cabo de vinte dias de praia, o silencioso aventura-se a proferir uma palavra ou duas. Em vez de levar apenas a mão ao chapeu, rompe neste excesso de eloquencia: «Muito bons dias» ou «Muito boas noites». Cinco dias depois, já cumprimenta um ou outro pelo seu nome. E no fim do mez, quando parecia resolvido a fallar, vae-se embora!
Uma vez, n'uma praia, appareceu um silencioso d'estes. Havia um fallador, que embirrava muito com elle. Era natural.
—Eu hei de obrigar a fallar este diabo...
Fazia-lhe uma pergunta, e o homem contentava-se com encolher os hombros.
—Não importa! Eu hei de obrigar a fallar este diabo... dizia o fallador assim que o silencioso voltava costas.[{33}]
—O cavalheiro toma banhos?
O silencioso meneiava affirmativamente ou negativamente a cabeça.
Desesperado, o fallador, estando certo dia a contar uma das suas muitas historias, fingiu-se distraido, e pisou o outro.
—Que bruto! exclamou o silencioso.