O estudante pensa um momento...

—Então, insiste o professor, o que fazia o sr. juiz?

—Eu? Eu fazia isto: punha o chapeu na cabeça e dizia: Está levantada a sessão.

Riu o professor, riu todo o curso, e o estudante salvou-se da entalação d'aquelle dia,—por ter tido uma idéa e um chapeu.

*
* *

Havia um grande capitalista, que, por ter um sobrinho muito extravagante, já lhe não queria dar vintem.

Um dia appareceu-lhe o sobrinho annunciando que ia partir para os Estados Unidos, onde poderia vender melhor do que em Portugal, dizia elle, o segredo de uma invenção maravilhosa.

O tio, picado de curiosidade, quiz saber no que consistia a maravilhosa invenção. Recusa do sobrinho. Insistencia do tio. Finalmente, o[{41}] sobrinho revelou o seu segredo: tinha descoberto o processo de fazer oiro. O tio, tão rico como ambicioso, resolve comprar-lhe o segredo por seis contos de réis. O sobrinho, simulando alguma difficuldade, acaba por vender-lhe a receita, que o tio paga immediatamente. Concluida a transacção, despedem-se, mas, já no fundo da escada, diz o sobrinho ao tio:

—Ah! esquecia-me uma coisa, meu tio. Para que a receita dê resultado satisfatorio, é preciso que o tio, quando quizer fazer oiro, não se lembre do elephante branco.

E saiu com o dinheiro na algibeira.