O tio tratou de montar o seu laboratorio, e de realisar a receita. Mas, por mais que quizesse affastar do seu espirito a idéa do elephante branco, essa terrivel idéa acudia-lhe sempre, pelo que jámais conseguiu tirar da compra que fizera o resultado que esperava...

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Não sei quando, nem mesmo onde, existiam dois esposos, que se enriqueceram... de filhos. A boa fortuna parecia apostada em querer que elles esgotassem todos os nomes do Flos sanctorum.

Começaram pelos vulgares. Os primeiros filhos chamaram-se Manuel, Joaquim, Antonio, João. Depois passaram a escolher nomes romanticos:[{42}] Arthur, Laura, Beatriz, Egberto. Por ultimo, tiveram que lançar mão dos nomes mais esquisitos e arrevesados: Cunegundes, Tecla, Mafalda, Thimoteo.

Um dia, quando já era difficil saber a conta de todos os filhos, e acertar-lhes de prompto com os nomes, saiu o pae a passeio e, longe de casa, encontrou na rua uma creança que chorava, escondendo o rosto entre as mãos.

Apiedou-se, dirigiu-se á creança, levantou-lhe a cabeça, achou que tinha uns olhos bonitos, e disse-lhe:

—O que fazes tu por aqui, meu menino!

—Ando perdido.

—Pobre creança! Sabes quem é a tua familia?

—Não estou bem certo d'isso, meu sr.