O sr. José Peixeiro respondeu immediatamente:

«Lá irei á noite vêr essa pouca vergonha, e se fôr como diz eu cá estou para obrar como regedor.»

Então o pobre queixoso julgou dever prestar mais um esclarecimento importante á digna auctoridade parochial:

«Ill.mo sr. José Peixeiro.—Tenho por conveniente informal-o de que na minha carta anterior faltou um note bene, que vae agora.

Os inquilinos a que me refiro são os mosquitos.

Supponho que esta informação ha de aproveitar á sua perspicacia.»

José Peixeiro deu-se pressa em enviar a seguinte replica:

«A minha casa é a melhor da villa, e tem sido sempre habitada por pessoas de importancia. Eu, no resto do anno, vivo lá. E tanto eu como minha senhora temos gosado saude; a unica doença que a minha senhora lá tem tido foi um parto. Eu, nem isso; sou são como um pêro. Mosquitos e moscas em toda a parte os ha; a mim ainda me incommodam mais as moscas do[{10}] que os mosquitos. O anno passado, o sr. visconde do Pecegueiro veiu a morrer para a minha casa, e foi-se embora tão bom, que até o meu compadre barbeiro, que tem pilheria, disse que elle ainda ia capaz de dar pecegos. Mas para não se incommodar com os mosquitos inventou o systema de dormir de caraça e de luvas. Faça o senhor outro tanto, e não dê importancia aos trombeteiros.»

Ah! caro leitor, aviso-o para que se acautele, visto que já fui atacado pelo primeiro mosquito d'este verão: compre caraça e luvas como o visconde do Pecegueiro.

Oh! o primeiro mosquito! Que horror![{11}]