O sr. D. Pedro II estava delirante de alegria, e propositadamente prolongava a conversação.

Veiu a ponto fallarem de versos alexandrinos.

O imperador declarou que não gostava do verso alexandrino, de que, como se sabe, Castilho era enthusiasta.

—Ser-me-ha licito, disse Castilho, perguntar a vossa magestade os fundamentos da sua opinião?

—Acho o alexandrino—replicou D. Pedro II, um metro inutil, por isso que é composto de dois versos de seis syllabas. Digam francamente que fazem versos de seis syllabas, e escusam de baptisar cada parelha de seis syllabas com o pomposo nome de alexandrinos.

Castilho replicou:

—O que faz vossa magestade quando tem sêde?

O imperador sorriu-se, e respondeu:

—Bebo agua.

—Ora muito bem! tornou Castilho, mas se vossa magestade beber agua por dois copinhos, não fica tão satisfeito como tendo-a bebido de um só trago por um copasio enorme.[{48}]