Certas damas, quando chegam á praia, conseguem dar na vista pela perfeição plastica das suas curvas. Ao entrar na agua, vestidas para o banho, perdem as curvas. Não perderam; deixaram-n'as na barraca. Este sophisma deploravel revela a carencia de um bom argumento. Argumento ou augmento. O eufemismo é o mesmo. Mas só a praia consegue revelar um segredo, de que, quando muito, apenas se suspeitava...

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Andam pessoas a enganar-nos durante onze mezes em cada anno.

Suppomol-as polidas, eruditas, francas, estimaveis.

Em Lisboa, quando as encontravamos na rua,[{13}] trocavam comnosco um shake-hand, tinham um dito amavel ou sentencioso, pareciam-nos cordealmente expansivas.

Nas praias, á sombra de um chalet ou de uma arvore, durante duas horas de conversação, desmascaram-se. Dia a dia, podemos fazer o inventario das suas idéas, dos seus sentimentos, das suas opiniões. E, ao cabo de um mez de estação balnear, averiguamos que:

Fulano, que vae á missa em Lisboa, não crê em Deus.

Sicrano, que tinha fóros de erudito, apenas lê a Revista dos dois mundos.

Beltrano, que parecia fallar-nos com o coração nas mãos, não fazia outra coisa senão metter-nos os pés nas algibeiras.

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