—Mas onde poderei eu encontrar esse homem feliz?[{87}]
—Isso agora não é comigo, disse a cigana. E voltou costas ao rei indifferentemente.
Logo sua magestade mandou reunir no palacio real os seus validos e conselheiros.
Contando-lhes o caso da cigana, acabou por dizer-lhes:
—Agora é que eu vou conhecer qual de vós me é mais dedicado. Trata-se de procurar um homem feliz, cuja camisa, ainda que custe rios de ouro, eu hei de vestir, ide procural-o, pois. E todo aquelle que o encontrar, receberá recompensas quaes rei algum da terra ainda concedeu.
Fazendo mil protestos de dedicação, logo cada um d'elles se deu pressa em partir. Para onde? Ao acaso, pelo mundo fóra, á procura de um homem feliz...
Tal conselheiro do rei descobriu um proprietario muito rico, que todos os dias via entrar pela porta dentro os seus rendeiros carregados de ouro.
Foi procural-o, na supposição venturosa de que tinha encontrado a pessoa que procurava.
—Sois feliz como pareceis? perguntou-lhe.
—Não sou, ai de mim! É verdade que possuo uma riqueza enorme, mas falta-me a saude, que é cada vez mais precaria. Daria toda a minha riqueza para poder viver sem dôres, para comer com apetite.