—Para a semana será... dizia elle.
Passava uma semana, um mez, um anno.
—Então?...
—Tem havido difficuldades... Mas estão aplanadas... Agora vae.
E não ia!
Elle é que, fingindo esperar sempre alguma coisa que lhe consolasse os ultimos dias da vida, foi para o Porto, já muito doente, cheio de dôres e de desillusões, e de casa de uma filha querida,[{99}] que lhe recolheu piedosamente o derradeiro suspiro, foi para a cemiterio de Agramonte, onde finalmente descansa...
O Diario do Governo perdeu um leitor, a sociedade portugueza perdeu um dos seus gentlemen, talvez o ultimo, seus filhos perderam um pae extremosissimo, e eu perdi um amigo tão dedicado, que me confiava os segredos dolorosos de toda a sua vida, dando-me a lêr o manuscripto das suas memorias inéditas.
Pobre barão! Outros, que começaram mais tarde a frequentar a sociedade, chegaram depressa ao galarim, tão depressa que, na allucinação do triumpho, nem já o conheciam. Mas elle é que conhecia toda a gente: um shake-hand para a direita, um sorriso para a esquerda, parecia andar fazendo as suas visitas de despedida antes de partir para a eternidade. E para que ninguem podesse ficar aggravado com o muito que elle tinha soffrido, perdoava a todos...
Morreu como viveu: um gentleman.[{100}]