Urge pois educar a mulher, porque nasceu para mãi, e da mãi é que brota a humanidade, da mãi é que deriva a felicidade social. Mas note-se, entenda-se bem, quero a mulher educada para as funcções pedagogicas que possa exercer na escóla ou no collegio, para as attribuições industriaes que precise desempenhar, para as occupações artisticas que lhe possam caber, e especialmente, e primeiro que tudo, para mãi, para directora, não só destinada a versar negocios de economia domestica, mas tambem para ser espelho na sociedade, divindade na familia,—para ser mãi e esposa.
Deverá defender-se e favorecer-se a absoluta emancipação da mulher?
Digo que não,—convictamente digo que não.
Eu quero que a familia se condense, se unifique, se levante, não desejo portanto roubar-lhe o unico meio de rehabilitação que ella tem,—a mulher. Não quero que a mulher se masculinise para a sociedade, porque não desejo desmembrar a familia.
«Dizeis—escreve o snr. D. Antonio da Costa,—que{141} a somma da intelligencia e das qualidades da mulher se acha actualmente perdida para ella e para a sociedade uma vez que lhe fecham as carreiras politicas e scientificas? Vêde que esta razão fundada na capacidade igual dos sexos, exigiria, para haver logica na vossa doutrina, que as funcções hoje especiaes da mulher, educação infantil, governo da casa, costurar e bordar, formação dos costumes publicos pela influencia domestica, devessem tambem pertencer ao homem, aliás seriamos nós as victimas da desigualdade cujo principio combateis.»
Que igualdade querem para a mulher? A igualdade politica e scientifica? Sou contra ella, resolutamente contra ella, pelas razões já expostas. Igualdade civil? Convenho, e conspiro contra a tutella oppressora que soffre a mulher quer seja casada ou viuva. Igualdade moral? Quem lhe disputa essa? que «é verdadeira, como diz Paulo Janet na Familia—é evidente, e condição essencial em uma familia completa e feliz.»
Isto é o que eu penso, a convicção que eu tenho adquirido n'uns estudos placidos a que me dou, porque eu estimo os livros serenos e crystallinos, e não se desvirtue a minha opinião, e não se diga que eu quero a mulher analphabeta e só apta para fiar ou coser.
Isto penso eu.
Mas para que discutil-o, Conceição?
Que o discutam philosophos e legisladores, que{142} façam luz no espirito publico, que demonstrem, que provem, que eu então irei após a verdade.