Quanto ás relaçõs physiologicas da intelligencia com o cerebro, julgo-me obrigado a transcrever, para me fazer comprehender melhor, estas palavras de Paulo Janet:[7]
«A experiencia nos ensina, é certo, que o cerebro entra por uma certa parte, por uma grandissima{139} parte no exercicio do pensamento; mas qual seja a causa unica e rigorosa medida, é o que não está demonstrado.» É a massa cerebral, a composição chimica, a electricidade, o phosphoro? Não está averiguado, tem razão, e a isso não era eu estranho.
Todavia era meu proposito referir-me ao que a experiencia nos mostra, e Paulo Janet corrobora, que o cerebro entra por muito no exercicio do pensamento.
Creio que a maxima parte da gente assim o havia de entender.
Adiante.
Com relação á educação da mulher sou a dizer-lhe que tenho certas convicções adquiridas no tranquillo silencio do meu gabinete, uma das quaes, e das não menos profundas, diz respeito ao assumpto que vou tratar. Posso estar em erro, mas por ora ainda não tenho razões para me demover. Quando tiver, confessarei a minha abjuração solemnemente. Se estou em erro, redunda apenas em detrimento meu, por isso que os homens que teem restricta obrigação de estudar pausadamente esta questão são os philosophos e os legisladores.
Ora eu nem quero ser uma nem outra cousa.
Na questão da educação da mulher aceito inteiramente as idéas do snr. D. Antonio da Costa no seu livro—A instrucção nacional. Permitta-me, pois, que me soccorra da respeitosa amizade que me liga a tão sympathico escriptor, e que me defenda com elle.
É preciso, é indispensavel, é urgente promover a{140} instrucção da mulher, que está em Portugal na proporção d'uma escóla para 6:000 habitantes, sendo que dos 146:000$000 réis votados para as escólas primarias, apenas 18 revertem em favor das creanças do sexo feminino.
Isto está d'accordo com o que eu expuz previamente, porque me lembro de dizer que se não queria a mulher sabia tambem não a queria ignorante.