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PHYSIOLOGIA HISTORICA
Beethoven
A biographia é uma nova fórma dada á historia por Plutarcho.
Seguindo o methodo seguro da inducção, caminhamos da biographia para a synthese, do caracter individual para o caracter collectivo, do homem para a época. Não concordamos portanto com mr. Paul Albert[8] que vê n'esta evolução historica mais uma decadencia que um progresso.
A biographia é a historia do homem, quer dizer, tem de o estudar na dupla manifestação da sua actividade, e é por isso que ultimamente a critica e a historia não prescindem da alliança da physiologia com a psychologia. Por tal razão foi que o doutor Moreau, de Tours, estudou a Psychologia morbida nas suas relações com a historia; que Emilio Deschanel escreveu a Physiologia dos escriptores e dos artistas, e que recentemente{146} o doutor Laborde se entregou ás lucubrações medico-psychologicas que originaram o seu livro sobre Os homens e os actos da insurreição de Paris perante a psychologia morbida.
Esboçando na tela do folhetim alguns perfis historicos, tivemos sempre em vista a noção de temperamento, ou antes, e melhor, o dualismo de Platão, que definiu o homem na expressão «d'uma alma que se serve d'um corpo», e porque, segundo uma expressão feliz de Emilio Deschanel, para conhecer o fructo é preciso conhecer a arvore.
Posto isto como exordio já demasiadamente longo, fallemos d'um grande genio que enche de esplendor a historia da musica, d'um compositor nervoso, hypocondriaco, melancolico,—Beethoven.
Antes de escrevermos do artista, saudemos a arte, esta linguagem sublime, que parece revelar-nos o infinito, d'origem divina, porque se nos remontarmos ao pantheismo oriental teremos de vêr a musica considerada como imperfeita imitação da harmonia que produzem os movimentos dos corpos celestes.
Na tradição asiatica, devemos procurar a origem da musica na organisação do universo. As sete nymphas Swaras são a personificação das sete notas. Saraswati, filha, mulher e irmã de Brahma, representa a primeira nota da escala dos sons[9].{147}