—E o da casaca tambem...
—Mas a quem diabo fui eu contar que te emprestei a claque e a casaca?
—A quem? Ao escrivão de fazenda! E és tolo. Porque, se não désses com a lingua nos dentes, talvez fosse eu que tivesse de pagar a contribuição sumptuaria. Uma casaca em Braga deve ser considerada como objecto de luxo.
N'isto viram aproximar-se o escrivão de fazenda, que se encaminhava a elles.
—Ahi vem o homem! galhofou o morgado. Vem talvez saber qual dos dois ha de collectar.
O escrivão de fazenda aproximou-se attenciosamente de Frederico Ozorio.
—Peço desculpa a v. ex.ª, disse elle, mas a respeito d'este cavalheiro que o trata por primo, deu-se um pequeno engano.
O morgado teve uma sacudidella nervosa:
—É forte embirração! Eu ja disse ao cavalheiro que não houve engano nenhum. Nem a casaca nem a claque são minhas.{150}
—Minhas é que são... interveio o Ozorio, querendo deitar agua na fervura.