—Perdão! insistiu o escrivão de fazenda. A casaca será de v. ex.ª, mas a claque é minha.

—Tem graça! Fui eu que a emprestei a meu primo.

—Torno a pedir perdão. O primo de v. ex.ª, ainda agora, lá dentro, trocou a sua claque com a minha, que tambem estava sobre a mesa.

Foi só então que o engano se desfez, mas, como désse muito que rir aos tres primos, toda a gente quiz saber o que era e toda a gente ficou sabendo em Braga que o morgado de Boaças tinha ido n'aquella noite ao baile do commendador Raio com uma casaca emprestada e uma claque que não era sua.

O brazileiro commentou que não havia nada mais facil de acontecer do que uma troca de chapeus. Esta observação não era, aliás, precisa para o caracterisar intellectualmente. Salomão, no seu logar, teria dito a mesma coisa.

D. Christina achou graça ao caso, mas disse, pouco amavelmente para o Taveira, que era de historias de amor que gostava mais.

E o brazileiro observou por sua vez:

—Eu do que gosto mais é de historias de almas do outro mundo. As velhas da minha terra crearam-me com essas historias.

—Pois eu contarei ao sr. Araujo, disse eu, uma historia de almas do outro mundo.{151}

O Vasconcellos interrompeu auctoritariamente: