N'isto, sinto o tilintar longinquo de guizos na estrada. É o tenente Silverio, que vem dar o seu passeio matutino, disse eu com os meus botões.{158} Já lhe conhecia o trotar da egua, que puxava a charrette.
Nas terras pequenas sabe-se tudo: o tenente Silverio andava apaixonado pela Libania, da Murgeira, uma saloia muito animal, de seios turgidos, que pareciam despenhar-se no tanque, quando ella se curvava para lavar.
Era elle, o tenente.
Fez parar a charrette debaixo da minha janella.
—Olá! gritou. Está, na fórma do costume, comendo as suas uvas.
—Pudesse eu, respondi-lhe, e havia de comel-as todo o anno. Que bellas! Isto de mais a mais é recommendado. Contêem principios alcalinos, que são salutares. E teem um rico assucar, que é nutritivo. Na Allemanha e na Suissa comem-n'as para curar as doenças gastro-intestinaes. É bom, e faz bem.
—Diga antes que gosta muito de uvas.
—Ou isso: gósto muito.
—Visto que já saboreou o seu primeiro almoço, venha d'ahi dar um passeio.
—Aonde?