—Ora essa!
—Á Murgeira, como sempre, não é verdade?
—Como sempre... é um modo de dizer. Já lá não vou ha tres dias.
—Que ausencia! Pois irei. Deixe-me procurar o chapeu.
Tres minutos depois a charrette do tenente Silverio{159} rodava para a Murgeira pela estrada aberta entre pinheiraes. A egua, no seu trote largo, quebrava o silencio da manhã, guizalhando festivamente.
Iamos bem dispostos, dilatando os pulmões no ar fresco dos pinheiraes, em que já se sentia um gumesinho de brisa do mar, que soprava da Ericeira. Muito agradavel a manhã.
—Isto é bom e faz bem, dizia-me o tenente. São as minhas uvas.
—Perdão, as suas uvas, meu caro tenente, são outras. Vae colhel-as á Murgeira. Muito brancas não são; mas talvez sejam doces...
O tenente riu-se.
Tinhamos saído da estrada de Mafra, e iamos subindo, a passo, para a Murgeira.