Os criados e criadas, todos elles atexugados de bom presunto da Gralheira, fizeram o jantar para s. ex.ª
Mas s. ex.ª não chegou.
No dia seguinte fez-se novo jantar para s. ex.ª
E s. ex.ª não chegou ainda n'esse dia.
O grande Muxagata principiava a ser um mytho para muitos banhistas da rua Direita e travessas affluentes.
Chega o Muxagata! Não chega o Muxagata! Á noite, os criados, vendo que o patrão já não chegava n'esse dia, comiam o jantar que estava preparado para elle.
Passou assim uma semana.
Na segunda-feira seguinte sentiu-se ruido á porta do Muxagata. Foi muita gente ás janellas. Não era elle, mas um novo cavallo que chegava. Uma belleza de estampa, que os criados estavam admirando em circulo á porta da cocheira. Soube-se a historia do animal. Muxagata já estava no Porto, e havia comprado aquelle bello exemplar pur sang ao Côrte Real de Traz da Sé por tresentas libras.{17}
Finalmente, á noite, chegou o Muxagata com o Henrique da Perzigueda e outros amigos. Vinham a pé, todos de esporas e chicote. E antes de subir, foram á cocheira examinar os cavallos.
Vi o Muxagata. Era alto, forte, moreno: farto bigode preto, e pera. Foram jantar. O Ricardo Brown, o Côrte-Real e outros sportmen caíram logo lá. Depois do jantar, houve jogo. Sentia-se tinir dinheiro. Era o monte. Muxagata, depois das libações do jantar, gostava de fazer o seu berlote.