Soube pela manhã que os outros tinham continuado a jogar, e ganharam.

Ora no decurso de dois annos succederam cousas que seriam espantosas se não fossem humanas.

D. Christina passou definitivamente do Muxagata, quando o sentiu irremediavelmente arruinado, para o Falcão do Marco, que por sua vez se arruinou tambem.

A lei de 1863 extinguiu os vinculos em Portugal, mas os ultimos exemplares da raça privilegiada dos morgados ainda hoje florecem, entre as Christinas indigenas, nas praias de Portugal, em proesas tradicionaes de batota, de femeaço e de gineta.

No inverno os mais d'elles desapparecem no fundo dos seus solares cultivando as batatas, que no verão seguinte hão de resuscital-os. O morgado nacional, depois que a phylloxera lhe comeu as vinhas, ficou reduzido ás batotas.

Mas o Muxagata foi a phylloxera de si mesmo: comeu logo de uma vez as vinhas e as batatas. Como todo o bom morgado, conservou, ainda na pobreza, o seu enthusiasmo pela equitação. E não tendo já cavallos para montar, cavalgava, ao longo dos vastos corredores no ruinoso solar de Muxagata, n'um cabo de vassoura. Um bello dia morreu, e não foi por desastre do seu ultimo cavallo... de pau.

Finis, laus Deo, perorei.{32}

O Leotte, que tinha voltado á sala e ouvido o final da historia, perguntou:

—Da D. Christina nunca mais soubeste!

Expludiu uma gargalhada geral.