—Ha luz no rez-de-chaussée, observou o outro.
E espionaram, que não fosse alguem suspeital-os. Depois, cautelosamente, aproximaram-se das janellas de rotulas verdes. Ouviram conversar, rir. Na Penha de França, ás dez horas da noite, o vicio tem confiança na solidão: não é preciso fechar as portas das janellas.
—Espreitemos e ouçamos.
—Sim... ouçamos e espreitemos.
E após um momento de silenciosa contrariedade:
—Ha homens, e eu conheço as vozes. Depois, puxada a gola ás faces, os chapeus enterrados na cabeça, continuaram escutando.
E, de subito, caminhando para o intervallo das janellas, medrosos, desapontados, disseram, com os labios colados á orelha um do outro:
—São os nossos netos!
De repente, como se ambos obedecessem ao mesmo pensamento, deitaram a descer por ali abaixo, a descer, fazendo da fraqueza forças.
Só na rua direita de Arroyos tornaram a parar. Certificando-se de que não eram seguidos, exclamaram de novo: